sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Estilo Reda e Muwashahat - Música x Dança

Muwashahat é uma sofisticada forma musical que inclui vocalização e prolongados padrões rítmicos. Este gênero musical se originou na Espanha Islâmica durante o século dez.
Há uma descrição do estilo por Al Faruqi em seu artigo “A tradição andaluz”, como um poema estrófico apresentado com música, consistindo de repetidos retornos a uma mesma estrofe como um refrão musical.
Jihad Racy escreveu que “é aceito comumente que esta forma musical foi introduzida no Egito por um músico vindo de Aleppo na Syria no final do século dezessete. Este estilo se manteve muito presente na cultural musical do Egito até os primeiros anos do século XX.
Na moderna interpretação deste gênero, os intrincados e numerosos ritmos foram trocados por outros mais curtos e mais dinâmicos. Enquanto a forma essencial permanecia intacta, instrumentos ocidentais eram adicionados, juntamente com uma harmonia simples e contraponto. As letras dos poemas reeditados ainda retinham o idioma clássico e a metafórica forma descritiva da poesia mowashahat."






Estilo de Dança: Mwashahat Raqisah
Em 1979 Mahmoud Reda produziu para a tv, oito peças de dança. Elas foram coreografadas para as composições de Fuad Abdel Magid, um músico, que introduziu uma nova abordagem para este gênero clássico de música. Estas danças foram apresentadas no palco pela primeira vez no Cairo em 1980.
Reda diz que, “os significados e imagens evocados são intricadamente tecidos na estrutura dos poemas, como um laço bem dado”, o que é de fato pertinente ao significado da palavra muwashahat na língua árabe, que traz a ideia de elos de uma corrente.
Coreografar estas peças foi extensão de um trabalho criativo sem precedentes de Mahmoud Reda. A forma musical deste gênero, com seus variados padrões rítmicos, deu a ele novas bases pelas quais se expressar como coreógrafo. A qualidade estrófica das letras que acompanhavam a melodia influenciou sua escolha nas combinações de movimentos e nos desenhos espaciais.
Ele não tentou nenhuma interpretação direta do imaginário presente nos poemas, mas projetou em forma de dança o ânimo que cada poema evocava.

Fonte: Este texto está disponível quase que deste modo em diversos sites na internet. Possivelmente todas copiam e colam exatamente deste modo, então não consigo saber quem o escreveu.
É possível que seja de Ju Sobral em http://cursotecnicodanca.blogspot.com.br/2011/08/mahmoud-reda-e-sua-troupe.html

A grande fonte de pesquisa é mesmo o site de Farida Fahmy – WWW.faridafahmy.com



Minha percepção, experiência e aprendizado direto com Farida me leva a concluir que Mowashahat, enquanto linha estética de dança, está ligado ao que chamamos de estilo clássico de dança oriental, e que vêm a ser a marca registrada do estilo Reda. Mesmo em suas mais profundas pesquisas sobre o folclore egípcio, Reda a tudo misturava seus padrões de giros, “pas de bourrée”, arabesques e “soutenir”, criando uma forma elegante e sofisticada de interpretar qualquer dança popular. 
A influência do Balé na dança do ventre é histórica e tem haver com a própria concepção em si da linha estética de dança “Raks El Shark”.  A partir da década de 20, a bailarina que antes dançava seu baladi (sua dança popular) recebeu treinamento em balé e foi ensinada a se portar em cena. O Figurino foi alterado e a própria dança tomou outro nome, o que torna este estilo de dança cênico, artístico e fusionado em sua concepção, diferente das danças populares egípcias de onde vêm os movimentos de quadril assimilados.
A Reda Trupe surgiu muitas décadas após o início deste processo, quando já os coreógrafos folclóricos ou de dança oriental recebiam desde o início seu treinamento em balé. Acredito que a concepção da dança mowashahat tenha vindo como uma consequência natural.
Nadja El Balady




Inserção do estilo Mwashahat dentro de uma rotina oriental

Este estilo é comumente representado dentro do estilo musical conhecido como Rotina Oriental, Rotina Clássica, Opening Music, Mejance ou Mis em Céne. Este é um estilo que combina diversos estilos musicais em uma só música, fazendo uma espécie de “colcha de retalhos” cultural em cada composição. É comum que as rotinas modernas contenham um trecho de mwashahat, sendo representado por uma estrutura mais ou menos comum a todas as rotinas: A entrada de um ritmo que em cada compasso temos contagem ímpar - Vals (3 tempos) - e/ou extenso (com compassos de mais de 4 tempos) -  normalmente Samai (10 tempos) ou Masmoud Kbir (8 tempos) – acompanhado de arranjo musical com duas sonoridades melódicas predominantes: Violinos orquestrados e qanoum ou alaúde. Teremos uma frase musical tocada com violinos que se repetirá com qanoum ou vice-versa. Nada impede que entrem outros instrumentos como flautas e violinos solistas. Nada impede que sejam outros ritmos extensos utilizados além dos mencionados neste texto. Existem inúmeros ritmos que servem para compor Mwashahat. Aqui cito alguns dos mais comuns encontrados nas composições de Rotinas.
A bailarina pode interpretar este estilo através dos movimentos de Mwashahat ou não. Fica a seu critério. Dentro da leitura musical, o Mwashahat faz pouca distinção entre os instrumentos melódicos. Isto significa que a leitura corporal através do vocabulário de mwashahat não usaria sinuosos com tremidos para Qanoum ou alaúde, por exemplo. Ou sinuosos para flauta. O que eu, Nadja El Balady, acabo por escolher, é uma leitura mista, usando quadril para ilustrar Qanoum e alaúde, e o vocabulário de Mwashahat (de natureza aérea) para o trecho com os violinos.

video
Nadja El Balady - Trecho de Mowashahat da música Nour ala Nour


Sobre Mahmoud Reda – fonte - http://egyptianacademy.com/jml2/mahmoud-reda


Nascido em 18 de março de 1930, no Cairo, Egito, Mahmoud Reda é um pioneiro do teatro de dança no Egito. Solista, coreógrafo e diretor de centenas de produções, Mahmoud Reda já percorreu mais de 60 países, realizando apresentações nos palcos mais prestigiados do mundo. Ele também foi o principal ator, dançarino e coreógrafo em filmes egípcios. Mahmoud Reda foi universalmente aclamado pela sua dança com a força e o apelo de um Gene Kelly ou Fred Astaire.  Em 1959, fundou a primeira companhia de dança folclórica, The Reda Troup, que consistia apenas de 15 membros, todos dançarinos. Hoje em dia, tem mais de 150 Membros talentosos, incluindo dançarinos, músicos e técnicos. A Troup apresentou-se em mais de 300 shows, incluindo danças e músicas folclóricas, com ritmo diferente e características diferentes, criando uma atmosfera de entretenimento e felicidade. A banda também participou de dois filmes musicais: "Férias de meio ano" e "Amor em karnak". A Reda Troup é endossada pelo governo egípcio "como um grupo capaz de representar o folclore egípcio, tanto na música como na dança." O grupo viajou pelo Egito pesquisando danças folclóricas e depois percorreu o mundo, promovendo aquelas danças como arte, digno de respeito.


Como solista, coreógrafo e diretor, Mahmoud Reda fez quatro turnês mundiais em 58 países, com sua trupe. Ele se apresentou nos palcos de maior prestígio do mundo como o Carnegie Hall (NY, EUA), Albert Hall (Londres, Reino Unido), centro de congressos (Berlim, Alemanha), teatros de Stanislavsky & Gorky (Moscou, União Soviética), Olympia (Paris, França) e das Nações Unidas (NY & Genebra). A trupe de Reda tem se apresentado para muitos líderes mundiais e chefes de estado. Sr. Reda recebeu da ordem das artes do Egito e ciência em 1967, a estrela de Jordan em 1965 e a ordem da Tunísia em 1973. Em 1999, ele foi homenageado pelo Comitê Internacional de Dança da Unesco e pela Conferência Internacional de dança do Oriente Médio, em maio de 2001.

Mahmoud Reda coreografa a partir de técnicas de jazz, ballet, dança Hindu e danças folclóricas da URSS. Seu trabalho influenciou o que é conhecido hoje como dança Oriental (Raks Sharki). Muitos membros do antigo grupo incluem professores como Raqia Hassan, Momo Kadous, Mo Geddawi e Daniel Sherif.  Mahmoud Reda continua a ensinar através de viagens, onde ele instrui a famosa técnica "Reda". 

Outra realizações de Reda 
Participante nos Jogos Olímpicos de Helsínqui em 1952, Mahmoud Reda representado Egito na ginástica depois de ganhar uma medalha de ouro no livre exercício no países árabes campeonato de Alexandria em 1950. Mahmoud Reda é bacharel em comércio da Universidade do Cairo. De 1982 a 1990 foi sub-secretário de estado no Ministério da cultura. Suas publicações incluem National Band "No templo de dança" para Artes folclóricas egípcias



Mahmoud Reda e Farida Fahmy


Texto Original em Inglês
Born on 18 March 1930 in Cairo, Egypt, Mahmoud Reda is a pioneer of dance theatre in Egypt. Soloist, choreographer and director of hundreds of productions, Mahmoud Reda has toured in more than 60 countries, performing on the world's most prestigious stages. He has also been principal actor, dancer and choreographer in popular Egyptian films. Mahmoud Reda has been universally acclaimed for his dance with the strength of and appeal of a Gene Kelly or Fred Astaire.

In 1959 he founded the first folk dance company, The Reda Band, which consisted only of 15 members , all dancers. Today,it has more than 150 talented members including dancers , musicians and technicians . The band has presented more than 300 shows including dances and folkloric songs , ballads , with different rhythm and different features creating an atmosphere of entertainment and happiness . The band also participated in two musical movies : " Mid year vacation " and " Love in Elkarnak". Reda Band is endorsed by the Egyptian Government "as a band capable of representing the Egyptian Folklore both in music and dances." The group traveled throughout Egypt collecting folk dances, and then toured the world, promoting those dances as fine art, worthy of respect.

As a soloist, choreographer and director, Mahmoud Reda made four world tours to 58 countries with his troupe. He performed on the world's most prestigious stages such as Carnegie Hall (NY, USA), Albert Hall (London, UK), Congress Hall (Berlin, Germany), Stanislavsky & Gorky Theaters (Moscow, USSR), Olympia (Paris, France) and the United Nations (NY & Geneva). The Reda Troupe has performed for many world leaders and Heads of states. Mr. Reda received Egypt's Order of Arts and Science in 1967, The Star of Jordan in 1965 and the Order of Tunisia in 1973. In 1999, he was honored by the International Dance Committee/Unesco and by the International Conference on Middle Eastern Dance in May 2001.

Mahmoud Reda draws from techniques of jazz, ballet, Hindu dance and folkloric dance from the USSR. His work has shaped and influenced what is known today as Oriental Dance (Raks Sharki). Many former troupe members include master teachers Raqia Hassan, Momo Kadous, Mo Geddawi and Yosry Sherif.

This spring, the world famous Mahmoud Reda Troupe and the National Folkloric Troupe joined forces to produce a full two hour extravaganza of one of Egypt's strongest national assets: its folkloric dances at Balloon Theater in Agouza, Egypt. Mahmoud continues to teach through tours where he instructs in the famous "Reda" technique. In July, He will be teaching a 2-days dance workshop in the San Francisco bay area, followed by workshops in Texas, Ohio and North Carolina.

Other Reda Accomplishments
A participant in the Olympic Games in Helsinki in 1952, Mahmoud Reda represented Egypt in gymnastics after winning a gold medal in free exercise at the Arab Countries Championships Alexandria in 1950. Mahmoud Reda holds a degree in commerce from the University of Cairo. From 1982 to 1990 he was Under-Secretary of State in the Ministry of Culture. His publications include "In the Temple of Dance" National Band for Egyptian Folkloric Arts

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